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quarta-feira, 1 de julho de 2015

Tsipras cedeu, mas a Alemanha não

A Alemanha avisa que não haverá acordo com a Grécia antes do referendo, marcado para o próximo domingo (5 de julho).

Apesar da Grécia ponderar aceitar a proposta de acordo com os credores, a Alemanha mostra-se pouco compreensiva e diz que só aceitará negociar após o referendo de domingo.

O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, apelou ainda à Grécia para "clarificar nas suas posições" antes de eventuais novas negociações sobre o saneamento do país e considerou que atualmente "não há base" para debater com seriedade.
"Tudo isso não constitui uma base para debater medidas sérias", declarou Schäuble em Berlim durante uma conferência de imprensa sobre o Orçamento de Estado alemão, adiantando que "é por isso que a Grécia deve a partir de agora clarificar as suas posições sobre o que quer verdadeiramente e depois falaremos, num contexto que se degradou nitidamente".
O ministro alemão reiterou que o último programa de ajuda da Grécia expirou na terça-feira à noite e que em nenhum caso seria possível o país "agarrar-se ao 'statu quo ante'".
"As condições mudaram completamente, estamos numa situação completamente diferente" da de há alguns dias, afirmou. Assim, qualquer nova ajuda deve ser aprovada pelo Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM, siglas em inglês), que obedece a regras diferentes das do Fundo Europeu de Estabilidade (FESF, siglas em inglês), que concedia até agora os créditos a Atenas.
Schäuble considerou ainda que as informações provenientes de Atenas "prestavam-se à confusão", designadamente sobre o referendo que o governo de Alexis Tsipras anunciou para domingo. De qualquer forma, "seja para o rejeitar ou para o aceitar", o objeto deste escrutínio "já não existe, nunca existiu, mas se alguma vez existiu, já não existe", referiu.
Também a chanceler alemã, Angela Merkel, advertiu que não se pode "começar a negociar" um novo programa de ajuda à Grécia antes da realização do referendo grego.
"Um bom europeu não é aquele que procura um acordo a qualquer preço, um bom europeu é o que respeita os tratados e a legislação nacional e dessa forma ajuda a que a estabilidade da zona euro não sofra danos", defendeu.
O que exige Tsipras aos credores?
Esta noite, e no dia em que chegava ao fim o prazo para a Grécia pagarao FMI, Alexis Tsipras decidiu enviar uma carta aos diretores do FMI, Comissão Europeia e BCE em que, segundo noticiou o Financial Times, diz aceitar a proposta dos credores. Porém, exigiu que fossem feitas algumas emendas ao acordo.
São elas:
- Idade da reforma: a Grécia pede um adiamento do aumento da idade da reforma. O objetivo é que a medida seja imposta só a partir de outubro.
- Aumento de Impostos: Tsipras quer que as ilhas usufruam de uma taxa de desconto de 30% no IVA.
- Apoio a idosos: extinção gradual do apoio de solidariedade aos idosos até 2019, mas de forma mais faseada.
- Despesas: governo aceita que a despesa com a Defesa caia em 400 milhões, mas só a partir do próximo ano.
O mundo anima-se com a possibilidade de um acordo. Mas será que este vai mesmo acontecer?
Depois do passo atrás do Governo grego, os mercados do 'velho continente' estão a mostrar primeiros sinais de resposta positiva. A Alemanha, Espanha e França já estão a ganhar mais de 2%, invertendo uma sessão que começou em terreno negativo graças ao incumprimento grego de ontem.
Mas nem todos estão confiantes de que a situação chegue a bom porto. O fosso criado entre a Europa e o Syriza continua a deixar os credores renitentes e muitos acham que não é desta que haverá acordo.
Tudo permanece assim uma incógnita. Alexis Tsipras prepara-se para falar, ainda hoje, ao gregos. 
Fonte: NM

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