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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Ex-espião revela em tribunal quem era a fonte das secretas

Trata-se de um ex-quadro da Ongoing, Fernando Paulo Santos.



Jorge Silva Carvalho, ex-diretor do Serviço de Informações Estratégicas e de Defesa (SIED), está hoje a ser ouvido em tribunal como arguido no âmbito do ‘caso das Secretas’, em que é também arguido o presidente da Ongoing, Nuno Vasconcellos, e cujo julgamento começou em Lisboa no passado mês de setembro.

Esta quinta-feira, o ex-espião revelou que a fonte das secretas era Fernando Paulo Santos, ex-quadro da Ongoing, que lhe solicitou informações sobre dois cidadãos russos. Disse Silva Carvalho que Paulo Santos não só era espião para Portugal como até foi pago.
Com esta revelação, o ex-espião quis justificar em tribunal a transmissão para Paulo Santos de informação sobre os dois cidadãos russos que estavam em conversações com a Ongoing para a compra de um porto marítimo na Grécia. Informação esta considerada pelo Ministério Público como violação do segredo de Estado e como um elemento do crime de corrupção imputado a Silva Carvalho.
Até porque enquanto a informação era transmitida, Silva Carvalho estava a negociar a sua entrada no grupo de Nuno Vasconcellos, também arguido no processo.
Ao tribunal, o ex-diretor do SIED não só revelou a identidade da fonte das secretas como confirmou que pediu a recolha de informações sobre os dois russos mas para passar a Paulo Santos, garantindo desconhecer que à data dos factos o empresário estabelecido em África trabalhava para a Ongoing, o que só veio a acontecer em 2011.
Apesar de a juíza presidente Rosa Brandão ter confrontado Silva Carvalho com mensagens de telemóvel enviados por este a Nuno Vasconcellos, em 2010, em que o arguido perguntava ao patrão da Ongoing se lhe dava emprego, caso saísse das secretas, e quanto lhe podia pagar de salário, o ex-diretor do SIED refutou que pudesse "sujar-se" por um ordenado.
"Nunca me vendi e não seria por um salário. Só a mera ideia é ofensiva. A insinuação que é feita pela acusação de que ia sujar-me por um salário é absolutamente insultuosa", disse Silva Carvalho, observando que se quisesse ganhar muito dinheiro tinha ido trabalhar para países estrangeiros ou para outras empresas e não para a Ongoing.
Na audiência, Francisco Proença de Carvalho, advogado de Nuno Vasconcellos, contestou o facto de a juíza comentar que a Ongoing estava em "negociações avançadas" para investir no porto de Astakos, quando a informação sobre os russos foi obtida, tendo a magistrada retirado a palavra "avançadas" para serenar os ânimos.
Silva Carvalho justificou a sua saída do SIED com cortes financeiros que prejudicavam a operacionalidade dos serviços e com a desilusão causada por algumas decisões tomadas pelo secretário-geral do Serviço de Informações da República Portuguesa (SIRP), Júlio Pereira.
O processo envolve ainda suspeitas de acesso ilegal à faturação detalhada do telefone do jornalista Nuno Simas, que, enquanto jornalista do Público, escreveu, em 2010, sobre problemas internos no SIED.
Recorde-se que Jorge Silva Carvalho e João Luís estão acusados por acesso ilegítimo agravado, em concurso com um crime de acesso indevido a dados pessoais e por abuso de poder. Nuno Vasconcellos está acusado de corrupção ativa para ato ilícito. O arguido Nuno Dias está acusado por acesso ilegítimo agravado e a sua companheira Gisela Fernandes Teixeira por acesso indevido a dados pessoais e um crime de violação do segredo profissional
Fonte: NM

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