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domingo, 31 de janeiro de 2016

Análises filogenéticas sugerem que contos de fadas são muito mais velhos do que se pensava

contos de fadas
Uma dupla de pesquisadores realizou uma análise filogenética em contos de fadas comuns e descobriu que muitos deles parecem ser muito mais velhos do que se acreditava até então. Em seu artigo publicado na “Royal Society Open Science”, Sara Graça da Silva, cientista social e folclorista que atua na Universidade Nova de Lisboa, e Jamshid Tehrani, antropólogo da Universidade de Durham, no Reino Unido, descrevem o estudo linguístico que realizaram e por que eles acreditam que pelo menos um conto de fadas teve suas origens na Idade do Bronze. As informações são do portal Phys.org.
Contos de fadas são populares em todo o mundo, e alguns chegaram a atravessar várias sociedades – “A Bela e a Fera”, por exemplo, foi contado de uma forma ou outra em todo o mundo. Linguistas e antropólogos modernos dataram a origem da maioria de tais contos de fadas em apenas um pouco antes do momento em que foram escritos, o que quer dizer que teriam várias centenas de anos de idade. Porém, o que a nova pesquisa sugere é que eles são muito mais velhos do que isso, com alguns tendo milhares de anos de idade.
Para chegar a estas conclusões, os pesquisadores aplicaram uma técnica normalmente utilizada na biologia, construindo árvores filogenéticas para rastrear atributos linguísticos de volta à sua origem. Eles começaram com 275 contos de fadas, todos baseados em magia, e os lapidaram até chegar a 76 histórias básicas. As árvores foram, então, construídas com base em línguas indo-europeias, algumas das quais foram extintas. Ao fazê-lo, os pesquisadores encontraram evidências de que alguns contos de fadas, como “João e o Pé de Feijão”, eram enraizados em outras histórias, e poderiam ser traçados até um momento em que as línguas indo-europeias ocidentais e orientais se separaram, cerca de 5 mil anos atrás. Isso significa, naturalmente, que tais contos são anteriores à Bíblia, por exemplo, ou mesmo aos mitos gregos.
Os pesquisadores colocaram “fatores de confiança” em resultados diferentes, dependendo de quão sólidas as árvores puderam construídas – algumas eram, obviamente, menos claras do que outras. Mas um conto de fadas em particular, segundo eles, era muito claro: chamado “The Smith e The Devil” (“O Ferreiro e o Diabo”, em tradução livre), que remonta até aproximadamente 6 mil anos atrás, à Idade do Bronze.
Notavelmente, Wilhelm Grimm, um dos famosos irmãos Grimm, que publicou muitos contos de fadas em 1812, escreveu que ele acreditava que os contos tinham muitos milhares de anos. Essa afirmação foi desacreditada não muito tempo depois da declaração, mas agora, os pesquisadores sugerem que ele estava certo o tempo todo. 
Fonte: NM

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