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sábado, 23 de janeiro de 2016

Minecraft vai lançar versão educativa para ser usada em escolas

Joel Levin, ex-professor de computação, cofundou a TeacherGaming, startup que criou MinecraftEdu
Popular no mundo todo, uma edição educativa do jogo Minecraft deve ser lançada pela Microsoft – que comprou a Mojang, empresa criadora do game, em 2014 por US$ 2,5 bilhões. O produto vai oferecer aos professores novas formas de usar o videogame de construção de mundos em uma variedade de assuntos.
A Microsoft também comprou a versão MinecraftEdu do jogo, que foi criada há quatro anos pela desenvolvedora finlandesa independente TeacherGaming. A promessa é que a versão para escolas tenha mais recursos, mas as instituições podem ter que arcar com custos adicionais. Segundo a gigante da computação, mais de 7 mil salas de aula ao redor do mundo já usam o Minecraft de alguma forma.
“Os professores estão usando Minecraft para fazer muitas coisas, incluindo ensinar matemática, ciência, religião e poesia”, declarou Anthony Salcito, vice-presidente de educação mundial da Microsoft, em entrevista à BBC. “Uma vez que nós tornarmos as ferramentas mais fáceis para as escolas acessarem e as utilizarem, eu acho que você verá esse número [de salas de aula] crescer muito rapidamente.”

Sucesso mundial

De acordo com o jornal “The New York Times”, em uma escola da Califórnia, por exemplo, os alunos do ensino fundamental têm aulas de ciências sociais dentro do jogo, onde as características de locais históricos que estudaram, como a Missão de San Juan Capistrano, foram recriadas. Em aulas de ciências, os estudantes já utilizaram a plataforma para demonstrar a sua compreensão de construção de circuitos.
No entanto, a maior parte do apelo de Minecraft é como entretenimento. Existem mais de 100 milhões de jogadores de Minecraft registrados. Mesmo anos após o jogo ter surgido, ele é o aplicativo pago número um nas duas lojas de aplicativos móveis dominantes da Apple e do Google, e é o jogo de PC mais vendido de todos os tempos, de acordo com a Microsoft. Mais de 160 milhões de pessoas já assistiram mais de cinco bilhões horas de vídeos no YouTube sobre Minecraft – só o canal do YouTuber brasileiro Pedro Afonso, o “RezendeEvil”, tem mais de 30 milhões de visualizações por mês.

Câmera dentro do jogo

O MinecraftEdu já permite que os professores modifiquem o conteúdo do jogo e usem uma biblioteca compartilhada de bens com temática de ensino. Agora, a Microsoft está prometendo melhorar a experiência de três maneiras: permitindo que os personagens criados pelas crianças mantenham suas características entre as sessões; deixando os alunos tirar “fotos” de seu progresso, através de uma câmera dentro do jogo, e depois armazená-las em um livro online junto de suas próprias notas; e permitindo que as crianças baixem o software para que possam continuar a jogar a versão educacional do Minecraft fora da escola, sem ter que comprar sua própria cópia do jogo.
Para acessar o serviço, as crianças e os professores precisam de seu próprio Office 365 ID, o login que dá acesso ao jogo e também pode ser usado para fornecer acesso ao software de produtividade baseado em nuvem da Microsoft.
A empresa diz que isso vai ajudar os professores a minimizar o número de contas online que precisam administrar. Porém, o mesmo ID também pode ajudar a empresa a promover seus aplicativos de processamento de texto, e-mail e de compartilhamento de arquivos, que precisam competir com os serviços de rivais como Google e outros.

Aumento do custo

A Microsoft pretende cobrar uma taxa anual de US$ 5 (cerca de R$ 20,50) para cada professor e criança. Isso poderia ser mais caro do que a configuração atual, na qual as escolas pagam uma taxa única de US$ 14 multiplicada pelo número máximo de pessoas que conseguem fazer login de uma só vez, mais um adicional de US$ 41 para o software do servidor.
“Nós acreditamos que estamos trazendo valor agregado”, afirmou Deirdre Quarnstrom, diretora de educação do Minecraft à BBC. “Além de ter uma identidade permanente, eles também terão acesso à versão mais atual do jogo”.
Ela explica ainda que o MinecraftEdu, juntamente com outros mods do Minecraft, foi um dos dois lançamentos por trás do processo de desenvolvimento. “Nós também estamos substituindo a necessidade das escolas terem e manterem um hardware de servidor separado”.

Shakespeare virtual

Os novos recursos foram bem-recebidos por Leigh Wolmarans, diretor da Lings Primary School, em Northampton, na Inglaterra. Sua escola já usa o MinecraftEdu para ensinar os alunos sobre “Sonho de Uma Noite de Verão”, pedindo às crianças que criem uma performance da peça de Shakespeare dentro do jogo.
No entanto, ele acredita que outros professores devem estar cientes das limitações do software. “A tecnologia pode levar a uma aprendizagem excepcional, mas tem de ser utilizada em conjunto com outras ferramentas”, opina.
Para ele, apenas deixar que as crianças sentem na frente do computador e experimentem Shakespeare através do Minecraft é algo errado. “Dança, arte, teatro e música continuam a ser as melhores formas de ensinar as crianças. Porém, a tecnologia pode ser acrescentada a isso como uma ferramenta adicional”.
A Microsoft disse que deve permitir que os professores iniciem o processo de testes “beta” da edição educativa do Minecraft em cerca de seis meses, sem encargos, antes de seu lançamento formal
Fonte: hypescience

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